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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O FILHO DO HOMEM E SUA AUTORIDADE

Este sermão foi pregado no dia 05 de junho de 2005, na capela da Congregação Batista Nova Jerusalém, pelo irmão Marcus Paixão.


“19 Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. 20 Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis. 21 Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer. 22 E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento, 23 a fim de que todos honrem o Filho do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. 24 Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. 25 Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. 26 Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo. 27 E lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem. 28 Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: 29 os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5.19-29).

Para compreendermos perfeitamente esta passagem do evangelho de João, nós precisamos voltar para o início do capítulo cinco, onde nos é apresentado um acontecimento sobrenatural. A cura de um paralítico, que já a 38 anos sofria com essa deficiência física.

Estava acontecendo uma festa em Jerusalém, provavelmente era uma das festa de peregrinação que eram observadas pelos judeus. Existia alí um tanque chamado betesda, e uma multidão de enfermos vivia ao seu redor. Os doentes que se reuniam alí sofriam das mais variadas enfermidades e viviam com a falsa esperança de que um milagre ocasionado pelas agitação das águas daquele tanque por um anjo, pudesse curá-los. Este tanque estava situado junto a porta das ovelhas. Uma velha tradição dizia que uma vez por ano um anjo descia e agitava as águas do tanque e o primeiro que descia até lá ficava curado de qualquer enfermidade. Jesus passava junto do tanque quando avistou um paralítico e perguntou se ele queria ser curado da paralisia que o acometia a tanto tempo. Quando o enfermo espondeu positivamente a pergunta de Jesus, este, o curou naquele mesmo instante, ordenando-lhe que se levantasse, recolhesse a maca a qual vivia prostado e andasse, seguisse adiante.

Os judeus depois de terem visto aquele que era paralítico caminhando com o seu leito normalmente, curado, ficaram cheios de indignação, pois aquele era um dia de sábado. Normalmente este deveria ter sido um episódio de grande alegria para aquela comunidade, pois milagrosamente um paralítico havia sido curado e agora caminhava livremente. Mas não foi! Não para os judeus. Eles não se alegraram por ver aquele pobre homem curado, esse sentimento nem se quer passou perto dos seus corações. O que se apoderou deles foi uma ira sem precedentes porque aquele homem carregava o seu leito em um dia de sábado. Que loucura é o pecado. Cega os olhos dos homens para as grandes maravilhas de Deus e abre-os para as coisas erradas.
Quebrar o mandamento de guardar o sábado do Senhor é algo terrível. Os judeus sabiam disso, mas iam além do mandamento. Na realidade, como disse Jesus, eles invalidavam a Lei de Deus com todas as suas ordenanças. Carregar a maca significava para eles a quebra do mandamento. E isso, segundo o que eles entendiam, não era permitido. Aquele era um pecado grave. Aquele paralítico estava quebrando a lei da guarda do sábado. Imediatamente eles abordaram aquele homem e o acusaram da quebra de um dos mandamentos de Deus. O homem respondeu que quem o havia curado, o ordenara que levasse o seu leito. Essa resposta aumentou a indignação dos judeus, pois havia alí outro homem que também não respeitava a lei de Deus, e não guardava o dia do sábado. Eles agora queriam saber quem era o que lhe havia curado, mas o homem que fora paralítico não sabia dizer. Quando então os judeus souberam que fora Jesus quem o curara, começaram a persegui-lo e tentavam matá-lo, pois também eles achavam que Jesus não respeitava os mandamentos que Deus dera a Moisés, no monte, para que o povo obedecesse.

O que nós vamos estudar agora é a converssa de Jesus com os judeus. Uma maravilhosa gama de doutrinas são apresentadas por Jesus Cristo aos judeus. Os judeus interpretavam a escritura de forma completamente equivocada. Para não quebrar nenhuma das leis que o Senhor ordenou a Moisés, eles acabaram criando muitas outras leis, que foram chamadas leis orais. Com isso os judeus viviam debaixo de um total legalismo. Um sistema de leis que chega a ser irracional e escraviza o homem. Eles conheciam bem a escritura e aguardavam a vinda do “Messias”.
Os judeus entendiam perfeitamente que o Messias que haveria de vir era o próprio Deus em pessoa, daí o motivo do ódio que eles tinham à Jesus ao ponto de quererem matá-lo. Não era uma questão de falta de compreensão dos judeus, pois quando Jesus disse ser Ele o Filho de Deus, eles perfeitamente compreenderam que Jesus alí afirmava ser o próprio Deus. Daí o motivo da ira dos judeus.

Jesus começa brilhantemente expondo a eles a sua perfeita divindade e unidade com o Pai. No versículo 19 Jesus diz: “O Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz”. (Jo 5.19)

O que é apresentado aos judeus aqui, não é a incapacidade de Jesus em fazer alguma coisa. Jesus está enfatizando a completa unidade entre Ele e o Pai Eterno. Unidade de vontade, a vontade do Pai é a mesma vontade do Filho. O que o Pai quer executar é o que o Filho vai executar. A divindade de Cristo é apresentada aos judeus logo no início do diálogo e com isso Jesus começa expressando a eles a sua autoridade divina para todas as coisas.

O fato de Jesus ter dito que Deus é o seu Pai, deixou os judeus chocados. Aquilo que Jesus falava a respeito de si mesmo e de Deus, soava como blasfêmia para os judeus. Como pode alguém como Jesus se auto proclamar o Filho de Deus? Isto era impossível de ser compreendido por eles. A questão não era mais o paralítico que fora curado no sábado, eles nem pararam para perguntar como Jesus havia feito aquilo, como aquele homem fora curado. A questão inicial, a quebra do sábado, fora esquecida por eles. O ponto em questão agora era a blafêmia de Jesus se dizer o próprio Deus. Isto era pior do que violar o sábado!

Jesus diz que os judeus ainda verão obras muito maiores do que a que tinham visto. Ver um paralítico andar era simplesmente o início do que eles ainda iriam ver. A perfeita comunhão entre o Pai e o Filho não podia ser compreendida pelos judeus. Eles estavam cheios de ira e ódio, tudo o que eles desejavam agora era ver Jesus Cristo morto. Eles não pararam para tentar entender como um paralítico poderia ter voltado a andar. O coração pecaminoso não lhes permitia raciocinar direito. O que será que eles pensaram quando viram aquele homem que era aleijado caminhando livremente? Eles devem ter pensado em muitas coisas, mas nunca veio a seus corações a idéia de que aquele homem fora curado pelo poder de Deus.

Jesus continua a afirmar a sua divindade quando diz que o Pai vivifica os mortos e da mesma forma o Filho também o faz. Esta foi mais uma clara afirmação de que Jesus era realmente Deus. Ele estava dizendo aos judeus que o mesmo poder que o Pai tem, Ele também o tem. O poder do Pai de dar vida, também é o poder do Filho. A pouco tempo atrás eles haviam visto um paralítico que fora curado, agora eles iriam ver os mortos ressussitando. Jesus começa a falar aqui sobre os diverssos tipos de ressurreições. As maiores obras que os judeus ainda iriam ver, estavam prestes a acontecer. Jesus conhecia a sua missão e o que ele ainda iria fazer no meio deles. Ele começa a mostrar aos judeus que durante o seu ministério eles iriam ver mortos se levantando e tornando a vida. Jesus estava se referindo a morte física. Pois o milagre que fora feito no paralítico não poderia ser comparado a o milagre da ressurreição física. Jesus, sendo Deus, sabia perfeitamente tudo o que faria. Ele ainda ressussitaria o filho da viuva da Naim, a pequena Talita voltaria a vida e Lázaro, depois de quatro dias morto, voltaria a viver! Foi por isso que Jesus disse que obras muito maiores do que esta, eles ainda contemplariam. Foi por isso que Ele afirmou que o mesmo poder que o Pai tem de vivificar alguém, também esse poder o Filho tem, de dar a vida a quem Ele quer! Fazer os mortos ressucitarem só é possível a Deus, contudo Jesus revindica esse poder para si mesmo. Ele estava afirmando ser Deus! Ele claramente expressava essa idéia aos judeus, e eles entendiam intelectualmente o que Jesus falava.

Jesus então começa a falar a cerca do julgamento. Este julgamento, o grande julgamento do juizo final também vai ser realizado pelo Filho. Jesus mostra aqui que haverá um julgamento e Ele próprio será o Juiz. Os incrédulos serão julgados e condenados eternamente. Paulo, no livro de Atos dos Apóstolos, no capítulo 17 e versículo 31 diz: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” (At 17.31).

O homem que julgará o mundo é aquele a quem Deus ressuscitou dos mortos no terceiro dia, aquele que ressuscitou com o corpo glorificado. Ele foi a primícia dos que dormem. Os judeus nunca poderiam acreditar que estavam diante do Eterno Juiz, daquele que pode fazer perecer não só a carne mas também o espírito! João fala deste terrível dia, na sua visão, quando estava preso na ilha de Patmos, ele descreve o julgamento final no livro de apocalipse: “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo. “ (Ap 20. 11-15). Apesar de Jesus está afirmando que Ele mesmo haverá de julgar a todos, os judeus permaneciam incrédulos.
Agora Jesus diz que o Filho deve ser honrado da mesma maneira que o Pai. Essas palavras pareciam loucura para os judeus. Eles adoravam a Deus somente e jamais adorariam a outro. Toda lei afirma que a adoração pertence ao Deus de Israel, e que não há outro Deus. Quanto mais Jesus falava, mais os judeus entendiam o que Ele estava dizendo e o detestavam ainda mais. Eles diziam: "Aque galileu, filho de José e de Maria, está requerindo a adoração que só pode ser dada ao único Deus". Todas as afirmações de Jesus estavam sendo perfeitamente compreendidas pelos judeus, mas essas verdades não chegavam aos seus corações, porque eles eram endurecidos. Eles não conseguiam ver que Jesus de fato era o próprio Deus, porque eles estavam cegos. Espiritualmente cegos!

Existe uma seita que cresce muito em nossos dias, e que nega que Jesus seja o Próprio Deus. Os membros desta seita se auto denominam as "Testemunhas de Jeová". Eles precisam ler esta passagem! Eles precisam entender que a honra do Filho deve ser exatamente igual a honra do Pai. As palavras de Jesus não deixam dúvidas, Era isso que Ele estava lhes revelando. Com a mesma fidelidade e intensidade e amor que você honra o Pai, você deve honra o Filho, não pode haver diferença porque os dois são dignos, a glória do Pai é a mesma glória do Filho. Você não pode adorar o Pai e negar adoração ao Filho. Os dois são um! Jesus mesmo disse: Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou (Jo 5.23b). Todos que negam a divindade do Cristo precisam muito ouvir isso. Além do mais, esta seita acusa os cristão verdadeiros de politeísmo, por causa da doutrina da trindade, a qual cremos e defendemos. Aliás, Jesus Cristo está apontando exatamente isto para os judeus. A unidade perfeita que há entre o Filho e o Pai. A mesma natureza do Filho é a do Pai. Jesus lhe falou essa verdade abertamente, mas eles não creram. Na verdade, eles é que são politeístas, pois dizem que Jesus é um "deus menor" que o Deus Jeová. Se Jeová é Deus e Jesus é deus, apesar de menor, nós temos dois deuses! Eles estão tão cegos quanto os judeus. São politeístas e sua própria crença revela nitidamente esse fato.

As palavras de Jesus eram ofensivas para eles, que não concordavam com aquilo que estava sendo revelado. Jesus então, começa a apresentar-lhes a única maneira de se obter a vida eterna. Eles precisavam ouvir as suas palavras e Crer naquele que o enviara, o Pai. Os judeus que estavam alí, de fato, ouviam o que Jesus falava, mas de forma natural e humana. Eles simplesmente, mecanicamente, ouviam o que estava sendo dito. As palavras de Jesus foram desprezadas por eles, não entraram em seus corações. Rejeitaram toda a verdade de Cristo. Rejeitaram o Messias que eles tanto aguardaram!
O ouvir que Cristo se refere é a aceitação plena da verdade que ele estava lhes revelando, é a fé genuína que abraça o evangelhoo, é o ouvir no íntimo do ser, no coração. Quando alguém ouvi a palavra intimamente, ela percebe quem está falando com ela, e compreende tudo que está sendo apresentado. Há uma mudança e um temor no homem que verdadeiramente ouvir as palavras do mestre! O Espírito Santo o impulsiona para os braços do Senhor. Essa voz é poderosa, pois é a voz de Deus chamando o pecador perdido e morto, e não há quem possa resistir. E o que acontece nesse momento, no momento em que o pecador verdadeiramente ouvir a voz do Senhor? Ele é regenerado, é limpo dos seus delitos, e é posto em liberdade da escravidão do pecado. Deus verdadeiramente o ressucita dos mortos. Pois ele estava morto em seus pecados!

Aqueles judeus em nenhum momento ouviram essa voz, a voz que produz liberdade e graça irresistível. Jesus disse que eles necessitavam crer em quem o enviara. O Pai foi quem o enviou. E o motivo pelo qual o enviou, foi para Ele salvar o seu povo dos seus pecados. Mateus escreveu: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mt 1.21)

A missão de Jesus não era salvar um povo de uma determinada etnia, a questão não era sanguínea ou racial. Ele não veio salvar um povo de uma determinada região geográfica. Se a questão fosse essa, a nação judaica seria inteiramente salva, inclusive esses judeus, que não criam em Jesus. Na realidade, a missão de Jesus foi cumprida, Ele não falhou em nada. O povo a o qual ele veio salvar, era um povo espiritual. Um povo que vai ouvi-lo quando Ele os chamar.

Por isso quem ouvir a sua voz e crer naquele que o enviou, tem a vida eterna. Que maravilhosa dádiva o Filho veio trazer ao homem, a vida eterna. Jesus diz que os que o ouvem e crêem, passam da morte para a vida. Ele agora começa a falar da ressurreição espiritual, que é muito maior que a ressurreição física do corpo. Neste diálogo entre Jesus e os judeus, Ele lhes falou de dois tipos de ressurreição: a ressurreição física do corpo daqueles que morreram fisicamente, e a ressurreição espiritual, daqueles que estavam fisicamente vivos mas espiritualmente mortos. Aqueles judeus estavam todos mortos e não ouviam a sua voz, por isso permaneciam mortos. Este tipo de morte é pior do que a morte física, porque ela leva o homem a perdição eterna, ao inferno. Eles não eram capazes de crer! O que Jesus falava, tinha cheiro de morte para eles. Jesus os adverte de que a hora já chegou, e que os mortos ouviriam a voz do Filho de Deus, e os que ouvirem viveriam. Somente os que ouvirem seriam vivificados pelo Filho. Porque então, os judeus não ouviam a voz de Jesus? A resposta é simples. Paulo diz: “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade.” (Ef 1. 4-5)

Esses versículos são muito importantes para entendermos o motivo da cegueira espiritual dos destes judeus. Paulo disse que O Pai nos “escolheu”. Em outras traduções, a palavra é “elegeu”. Aí está o motivo pelo qual os judeus não compreendiam a mensagem de Jesus: Foi devido a eleição soberana de Deus. Esta eleição ou escolha, foi feita antes da fundação do mundo, e estes judeus que permaneciam incrédulos estavam de fora, não foram eleitos! Foram deixados em seus pecados, para a sua própria ruína. Por causa dos seus pecados eles estavam rejeitando o Rei da Glória.

Jesus, mais uma vez falava de ressurreição, e os judeus acreditavam na ressurreição dos mortos. Jesus volta a afirmar a sua divindade. Além de ser inseparável de Deus Pai, de mostrar sinais miraculosos, de ressuscitar todos os tipos de mortos, de ser digno de ser adorado da mesma forma e intensidade em que o Deus Pai é adorado, de ser juiz de todos, de ser o salvador do seu povo escolhido, agora Ele diz que tem vida em si mesmo, o que mais aqueles judeus precisavam ouvir para crer? Tudo o que eles ouviram durante toda esta conversa foi a afirmação de Jesus de que Ele era Deus. ter a vida em si mesmo é inquestionavelmente uma afirmação de divindade. Um cristianismo que não abraça essa doutrina, não é cristianismo! Nunca foi, nunca será!

As profecias que atestavam a respeito de Jesus Cristo, na realidade, nunca fora compreendida por eles. Isaias disse: O profeta disse: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.” (Is 7.14). Isaias diz mais: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. ” (Is 9.6).

Até o dia de hoje os judeus não entendem essa realidade em Jesus Cristo. Eles não acreditam. Essa profecia, dizem eles, não se refere a Jesus Cristo, não pode ser ele, nós não aceitamos isso. Os seus olhos ainda estão tapados, a sua mente continua bloqueada pelo pecado, não conseguem enxergar o que a igreja a dois mil anos vem pregando, que Jesus é o menino que nos foi dado, segundo nos foi revelado no livro do profeta Isaias, que o principado está sobre os seus ombros, que o seu nome é Deus Forte, que ele verdadeiramente e inquestionavelmente é Deus.
Mas chegará o dia em que Ele há de julgar toda sorte de pecados, o dia em que todos estarão diante dele, ajoelhados, tremendo e condenados! O dia em os incrédulos o verão sentado no seu trono e julgando todos “um por um” (Ap 20.13) e se lamentarão. O dia em que o céu e a terra fugiram da presença Dele. Todos estarão diante dele neste dia, os judeus que permaneceram na sua incredulidade, todos, os grandes e pequenos, todos estarão lá, será dia de pranto, de choro amargo, dia de desespero e lamentação, dia de angustia e trevas eternas, dia terrível para os incrédulos. Neste dia, novamente os judeus estarão diante Dele, desta vez a situação será muitíssimo diferente. Eles estarão concientes do que fizeram com Ele. Neste o mesmo Jesus Cristo que foi odiado e morto por eles, será agora o seu juiz e os julgará com justiça e os lançará no inferno (Ap 20.15).

Ele os julgará porque é o Filho do Homem (Jo 5.27), essa é a sua autoridade. Ele jujga com retidão e com toda a justiça. Essa justiça nada tem a ver com a justiça dos homens, que é corrupta e pervertida. É a justiça de Deus!

Toda a humanidade será ressucitada nesse dia (Jo 5.28). Os justos sairão para a vida eterna. Estarão com Deus, viverão com Ele na sua Glória. Os perdidos serão condenados. Esta é a Justiça e o julgamento do Filho do Homem. O único que pode agir em seu favor é Deus, somente Ele e mais ninguém. Por meio de Jesus Cristo, Ele chama todos os homens ao arrependimento, a confissão de seus pecados e a vida!

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O modelo do testemunho Cristão

Este sermão faz parte de uma série de exposições que o irmão Marcus Paixão está levando sobre o evangelho de João. A exposição está em andamento na Segunda Igreja Batista em Campo Maior, todos os domingos, no culto noturno. Atualmente a exposição está em João 3.22.

"Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz... " (João 1.6,7).


Nós temos nos deparado hoje com um grande exército de pessoas que proclamam as mais diferentes mensagens para promover o bem estar físico e espiritual do ser humano. São aqueles que pregam a abstinência sexual e uma vida enclausurada em mosteiros. Outros defendem que o homem precisa mesmo é de alegria e de liberdade sem restrições. Sua mensagem é que o homem deve se desprender de toda regra que o impeça de ser feliz, assim, temos presenciado uma verdadeira avalanche de depravação moral em nossa humanidade. Existem aqueles que defendem que a mensagem que o homem carece mesmo é a do amor. Na realidade, uma falsa mensagem de amor, visto que ela é desprovida de Deus. Esta é a mensagem espírita. Faça o bem a todos, realiza caridade para com o próximo e atingirás a perfeição espiritual. Uma mensagem puramente baseada nas obras do homem. O mundo está cheio de várias mensagens, cada pessoa ouve uma solução diferente. Afinal, qual é a mensagem nós precisamos ouvir e obedecer?

O apóstolo João começou o seu evangelho apresentando a Jesus Cristo como o Verbo de Deus. Como aquele que é o eterno criador e a fonte de toda vida. Ele demonstra que Cristo é Deus, o grande Deus. Agora ele volta-se para falar sobre um homem. Um homem mortal e pecador, mas que deu um testemunho valoroso sobre Jesus Cristo, portanto, o foco de João continua sendo apresentar Cristo a seus leitores.

O ASSUNTO DO TESTEMUNHO CRISTÃO É CRISTO
O Assunto do testemunho de João Batista é sempre o Senhor Jesus Cristo. Ele é o centro e o foco da mensagem do profeta, o qual João se preocupa em apresentar com bastante clareza. João Batista foi enviado por Deus para um mundo tenebroso, afundado nas densas trevas da incredulidade para dar testemunho da maravilhosa luz divina. Ele foi designado para ser uma testemunha. Uma testemunha. Este é um termo bastante usado nos tribunais. Testemunha é aquela pessoa que é convocada para falar somente a verdade sob determinado acontecimento. Geralmente quando um processo entre duas partes está em andamento, existem as testemunhas de defesa e de acusação. Estas testemunhas estão sob um juramento que as obriga a falar somente a verdade, caso contrário, elas responderão, sob pena de condenação toda falsa declaração que fizerem. Certa vez eu mesmo presenciei a o julgamento de um criminoso que estava acontecendo em Campo Maior, na Câmara Municipal da cidade. Estava formado ali um tribunal composto por um júri popular. O réu era acusado de assassinato e estava sentado acompanhando todo processo diante do Juiz e de numerosas pessoas que estavam acompanhando o julgamento. O promotor foi chamado para fazer a acusação. As testemunhas de acusação já haviam dado seus depoimentos e respondidos as várias perguntas feitas pelo advogado do réu. Em determinado momento do julgamento, o advogado de defesa dirigiu-se a uma das testemunhas de acusação, olhou profundamente nos olhos dela e, após fazer uma pergunta muito séria, advertiu-a: “o senhor sabe que está sob juramento e não pode mentir, sob pena de ser acusado de falsa testemunha.” Aquele advogado lembrou a testemunha de que, caso ela mentisse em seu depoimento, ela mesma correria o risco de ser presa e condenada.
Uma testemunha sempre deve falar a verdade. Por isso ela é uma testemunha, deve relatar a verdade do que ela sabe. Esse é o sentido da palavra testemunha que o evangelista João usa quando se refere a João Batista como sendo a Testemunha enviada por Deus para testemunhar a cerca de Cristo.

João veio anunciar aquele que é a Luz que dissipa as trevas. O testemunho de João se assemelha ao testemunho dos profetas do Antigo testamento, cuja obra era anunciar o Messias salvador.
Nos dias de João Batista, os israelitas estavam saindo do período de tempo que ficou conhecido na história da igreja como ‘Tempo do silêncio de Deus’. Silêncio que teve início com o último dos profetas da antiga dispensasão e foi findado com o nascimento de Jesus Cristo. Esse período durou cerca de 400 anos, tempo em que ninguém se levantou para proclamar sobre o Cristo de Deus. Período de escassez e sequidão espiritual. Foi nesse tempo do silêncio profético que o perverso Antíoco Epifânio se levantou para profanar o Templo do Senhor, sacrificando um animal imundo e declarando-se, ele mesmo, como divino. Foi nesse período que vários livros não inspirados comumente chamados de apócrifos começaram a surgir. Período em que Deus estava pesando a sua mão sobre o seu povo, para puni-los de seus pecados e de sua permanente desobediência.

Naqueles dias não havia uma real mensagem de esperança para Israel sendo pregada. A única mensagem que se ouvia pelas ruas de Israel eram as palavras áridas e cheias de justiça própria proclamada pelos fariseus. Israel estava vivendo em amargura e dores. Estava sob o jugo do Império Romano e estavam todos vivendo subordinados ao governo dos Cézares de Roma.
As vezes nós passamos por períodos semelhantes aos de Israel, onde a mensagem puramente de Cristo não está sendo pregada. Acredito que em muitas partes do mundo exista hoje uma real carência da autentica pregação, do autentico testemunho de Cristo. Na realidade, se olharmos com atenção vamos perceber que há um cristo que está sendo pregado em quase todo o mundo, Um cristo impostor e, portanto, falso. Não o Cristo de Deus, o Cristo anunciado pelos profetas, o Cristo das Escrituras Sagradas, o Cristo que João Batista deu testemunho. Este quase não se ouve falar dele.

E isto acontece porque muitos que não foram enviados estão dando um falso testemunho acerca de Cristo. São testemunhas não autorizadas, pessoas sem credenciais que os habilitem como fiéis pregadores. Homens que nunca tiveram um chamado de Deus, mas que se auto-enviaram para anunciar Aquele que eles nem mesmo conhecem.

João Batista é bastante diferente de tais pessoas. A Bíblia diz que “houve um homem enviado por Deus cujo nome era João”. Ele foi enviado por Deus! Ele tem a autorização de Deus para testemunhar, por isso o seu testemunho é verdadeiro. João está na mesma categoria de Moisés, que foi enviado pelo Deus Todo Poderoso para libertar Israel do Egito, das garras do Faraó e do seu cativeiro. Moisés também estava no deserto quando Deus apareceu a ele e lhe deu esta missão. No monte Sinai ele teve um encontro com o Todo Poderoso e ali ele recebeu as suas instruções. Moisés era uma testemunha autorizada, ele tinha as credenciais e a ordem expressa do grande EU SOU.

João Batista também pode ser comparado a Isaías ou Jeremias. Estes foram profetas do Altíssimo que receberam ordens para testemunhar de Deus. Foram designados pelo próprio Senhor para levarem a genuína mensagem. A Isaías Deus perguntou: “A quem enviarei? E quem há de ir por nós?”. A resposta do profeta foi: “envia-me a mim!” (Is 6.8). Então Deus o enviou a pregar. A Jeremias Deus disse que ele havia sido escolhido desde o ventre para ser profeta: “A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: 'Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações' ” (Jr 1.4,5). João Batista pode ser comparado aos apóstolos de nosso Senhor Jesus, a homens como Pedro, João ou Paulo, cuja missão foi a de anunciar a Glória do Filho de Deus e chamar os homens ao arrependimento. Todos estes homens Foram enviados por Deus. A mensagem que os próprios anjos desejaram ter a honra de anunciar foi entregue a meros homens mortais. A mensagem santa foi entregue para ser proclamada pela boca de homens pecadores. Veja que honra Deus nos tem dado!

Esta era a missão de João Batista: “Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz”. A missão de João era a mais bela e gloriosa que alguém poderia sonhar receber. Ele veio falar ao mundo sobre o grande Salvador Jesus. Sua mensagem era anunciar aos homens que a Salvação, enviada da parte de Deus, estava presente. Ele trouxe uma mensagem que deveria trazer um grande júbilo aos homens. A mensagem que cada homem precisa ouvir e crer. Aquele que o povo de Israel tanto aguardava já estava no mundo. Essa é a mensagem que Campo Maior desesperadamente carece. Estamos em véspera de eleições municipais. Já constatamos várias passeatas dos candidatos nas ruas de nossa cidade. Já ouvimos os seus discursos e suas promessas. A mensagem política tem inundado a cidade. E eu digo aos irmãos que não é esta mensagem que nós verdadeiramente precisamos. Não há uma esperança real e absoluta no discurso político. Não há vida e nem há salvação no discurso político, na realidade, estamos precisando urgentemente ouvir uma mensagem que mude nossas vidas. Uma mensagem cheia de poder e de verdade. Uma mensagem transformadora e eficiente, e somente a fiel pregação de Cristo pode fazer isso conosco.

João Batista anunciava aquele que já existia antes da criação do mundo. Ele pregava Cristo e esta era a sua missão. Falava de Jesus como o Salvador que o mundo inteiro precisa. O ministério de João teve como marca a fiel pregação de Cristo. Ele simplesmente veio do deserto, tendo os pés calçados em sandálias de couro e vestindo roupas feitas de peles de animais. Um homem que não seria bem recebido na sociedade, não tinha uma presença elegante aos olhos humanos. Não era ele um homem atraente em nenhum sentido. Provavelmente ele não teria nada de interessante a dizer para as pessoas. Grande engano. Ele trazia a verdadeira Palavra de Deus. Sua mensagem era poderosa e penetrava nos corações. Sua mensagem foi fielmente entregue aos homens, como Deus o havia ordenado. João não fez milagres, não curou paralíticos, não deu vista aos cegos e nem tão pouco ressuscitou mortos. Ele não fez nenhum sinal miraculoso para levar o povo a aceitar a sua mensagem (Jo 10.41). Ele simplesmente pregou a Cristo Jesus o Filho de Deus, a Luz do mundo, a esperança do homem.

Foi essa mensagem que André ouviu e creu. Foi essa mensagem que abriu o coração do evangelista João. Depois que eles ouviram as verdades que João Batista pregava a respeito de Jesus Cristo, ele correram cheios de alegria e queriam anunciar a todo mundo que Jesus Cristo era o Salvador e que Ele estava presente no meio do povo. Eles chegaram até Pedro e disseram cheios de satisfação: “Achamos o Messias!”. Tudo isso depois de terem ouvido o testemunho de João Batista.

E é somente esta mensagem firmada em Cristo, que apresenta fielmente Cristo, que muda o coração humano. Que transforma o homem pecador, fazendo-o reconhecer a sua miséria, a sua decadência e a sua pobreza espiritual. Somente este Senhor Jesus, o Cristo das Escrituras, salva os pecadores do seu estado de condenação. Qualquer outro testemunho é insuficiente e desnecessário para o homem. João Batista pregou tão somente Jesus Cristo, “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). O assunto do testemunho de João não era exaltar o homem. Ele não buscou a glória de homens pecadores. Ele não veio anunciar os apóstolos e o ministério que eles teriam. Ele não foi enviado para testemunhar sobre Pedro e seu sermão no dia de pentecoste, antes, pelo contrário, Pedro também foi designado para anunciar Jesus. E mais, sua mensagem não era um testemunho de exaltação a Maria, mão de Jesus, como muitos têm feito hoje em dia. Deus o enviou, não para que ele testemunhasse de Maria, mas para que ele testemunhasse do seu filho. Até mesmo quando Isabel, mãe de João Batista, quando ele ainda estava no seu ventre, se aproximou de Maria, que também estava grávida e Jesus ainda estava no ventre de Maria, a Bíblia nos diz que o menino João ficou inquieto, saltando no ventre de sua mãe (Lc 1.41). Porque João se inquietou no ventre de sua mãe? Foi porque Maria se aproximou dele? Não! foi por causa de Cristo. Não foi a presença de Maria em si mesma, mas aquele que ela trazia em seu ventre, o Rei da Glória. A presença de Cristo, aquele a quem mais tarde João iria testemunhar no deserto da judéia foi percebida.

Foi Cristo, sua mensagem era sobre Ele, foi toda baseada Nele. João Batista também não buscou a sua própria glória, antes ele disse a cerca de si mesmo “Eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias” (Jo 1.27). Ele conhecia a si mesmo. Sabia que era homem cheio de pecado. Como é necessário que muitos pregadores compreendam essa verdade. Pregam buscando sua própria glória, buscam alcançar destaque e reconhecimento. Querem ser conhecidos e se enchem de orgulho e soberba. João Batista buscava a glória de Cristo. Em sua pregação Cristo era exaltado e toda a glória e honras eram tributadas a Jesus. João disse: “convém que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).

Talvez você esteja fazendo uma pergunta a si mesmo agora: como saberei se estou anunciando a Cristo com fidelidade? Meu amado irmão, se o conteúdo do seu testemunho de Cristo for fielmente alicerçado na Bíblia, se Jesus Cristo é o centro da sua mensagem, de seu evangelismo, certamente você está anunciando a Cristo conforme a Bíblia ordena. Se o centro de sua mensagem não são os sinais miraculosos, as línguas, as revelações, ou se não é qualquer outra coisa, mas Cristo, certamente você está sendo fiel a Deus em sua mensagem. A nossa pregação sempre deve ser a de anunciar a Cristo com intrepidez, com ousadia e sem temor. O conteúdo de nossa mensagem deve ser totalmente semelhante ao de João Batista, com Cristo sendo o centro de nossa mensagem.
Sermão pregado na capela Segunda Igreja Batista em Campo Maior pelo irmão Marcus paixão, no dia do Senhor, em 24 de agosto de 2008.

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A Soberania de Deus na redenção de seu povo

Este sermão foi transcrito e postado neste blog com a devida autorização. Podendo ser reproduzido e divulgado de maneira gratuita por qualquer pessoa, desde que sua fonte seja anunciada.
“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1.12,13).

Há um número reduzido de crentes esta noite. Ainda assim nós vamos adorar o nosso Deus pregando e ouvindo a sua Palavra. Para isso convido a igreja de Deus a abrir o livro sagrado no evangelho de João, capítulo um e versículos 12 e 13. Gostaria de falar-lhes esta noite sobre as grandes verdades que permeiam esse texto. Para nosso melhor entendimento, vamos voltar mais um pouco e lê a partir dos versos 10. Antes da leitura, peço a todos os presentes que fiquem concentrados e se esforcem para entender a grande maravilha da graça que lhes falarei esta noite. Aos crentes, peço que orem para que Deus esclareça em vossas mentes e corações este texto, de modo que todos vocês possam ficar jubilosos com o que irão ouvir.

A Bíblia diz:

“O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

Oração
Louvado seja nosso soberano Deus! Hó! Deus, exaltado seja teu Santo Nome, glorificado seja o Senhor para todo sempre. Tua Palavra foi lido, ó Deus, e agora nós esperamos receber do Senhor a instrução e a verdade que se encontra nesse texto sagrado. Que o teu Espírito adentre os nossos corações e nos faça compreender estas verdades, que ele possa nos alegrar e nos fazer regozijar pelas maravilhas que lemos esta noite; para glória do teu Nome e o gozo da tua igreja. Nós te agradecemos em nome do Teu filho Jesus. Amém.

Deveríamos ter completado este texto no domingo passado, mas nos concentramos mais nos versos dez e onze. Falamos no domingo anterior sobre a maldade que há no coração do homem natural e a cegueira que se encontra o homem sem Deus. Vimos, prezados irmãos, como nos apresenta o evangelista João, que o Senhor Jesus foi rejeitado pelo seu próprio povo, pela sua própria casa. Apesar das bênçãos que Israel já havia recebido ao longo de toda a sua história, o próprio Deus foi rejeitado por eles quando veio ao mundo, quando assumiu a forma de homem e veio habitar na sociedade humana, no meio de um povo pecador. Por isso, amigos, é bem obvio e bem claro o texto, e essa verdade está muito explicita em toda a escritura, que o homem é mal por natureza. O coração do homem não quer as coisas de Deus. O homem está cego para as coisas de Deus, é isso que diz os versos 10 e 11 deste texto. Mas esta noite nós vamos olhar para os versos 12 e 13. Vamos poder nos alegrar nesta maravilhosa porção da Palavra do Senhor. Veremos que nada está perdido para o seu amado povo. Deus é um grande cumpridor de suas santas promessas. Sim, é verdade que todos nós somos pecadores. Você precisa reconhecer que és um grande pecador e que certamente merece que toda condenação seja derramada sobre tua vida. Mas, nunca esqueça, pecador, Deus é gracioso, eternamente gracioso, pois está escrito em sua fiel Palavra “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Esta é uma afirmação muito graciosa para nós.

Esta noite abordaremos, baseado neste texto, as grandes verdades sobre a maravilhosa salvação do povo de Deus baseada exclusivamente na graça soberana do nosso Senhor. O tema é A SOBERANIA DE DEUS NA REDENÇÃO DO SEU POVO. Gravem essas palavras que acabo de proferir e pensem nelas durante todo este sermão.

Graças a Deus, queridos irmãos, que este texto tem início com uma conjunção adversativa: “mas...”. O texto que antecede esta pequena palavra vem apresentando a cegueira e a maldade que está presente ativamente no coração do homem; da rejeição do homem pelo seu criador, da insanidade humana e sua completa depravação. Cegueira tão grande que levou o salvador para ser humilhado e morto na cruz do calvário. Ele foi exposto como o pior dos homens e colocado entre dois assassinos. Não se compadeças, pecador, tu terias feito o mesmo com o nosso Senhor, ou até pior.

A depravação tão gigantesca que o seu próprio povo preferiu um assassino do que o Filho de Deus. “mas”, diz a primeira palavra do verso doze, “mas”. A história do pecado humano não termina aí. Nós estamos vivendo há muito tempo, há mais de três gerações, uma era diferente na história da igreja. Um tempo mal, onde as grandes verdades do evangelho estão sendo esquecidas. Vocês sabem disso; eu tenho alertado a todos vocês sobre isso há bastante tempo. As colunas que sustentam o evangelho têm sido atacadas; as doutrinas clássicas da Bíblia têm sido solapadas por homens maus. Doutrinas como a soberania de Deus estão sob intenso ataque, em nossos dias e vem sendo negada pelos homens – por pastores e pela igreja de modo geral. Tempo onde as doutrinas da maravilhosa graça de Deus vem sendo esquecidas pelo seu povo. Combatidas, até, pela igreja! Há, meus ouvintes, parece que nós é que somos o Israel que negou a Cristo no passado. Parece que a igreja, que insiste em não receber o seu Senhor em toda a sua grandeza, se iguala ao Israel de dois mil anos atrás. Crentes que não crêem na Sua Palavra; que não aceitam sua soberania. Não sabes tu a desgraça que estás trazendo para ti, com tais pensamentos!

Há cerca de 120 anos atrás, o pastor batista Charles Spurgeon, quando estava preste a abandonar a União Batista, por causa da complacência doutrinária que aquele grupo estava disposto a suportar, escreveu sobre o declínio da igreja. Ele disse que “no ‘declínio’, o trem viaja muito rapidamente: uma outra estação já ficou para trás. O que vem depois? E depois?”. Spurgeon estava referindo-se as doutrinas da graça soberana de Deus. Ele alertava que a igreja na Inglaterra já passara da estação da graça de Deus, essa doutrina já havia ficado para trás; “o que vem depois? E depois?” perguntava ele. É bem verdade amigos, que hoje, muito tempo depois destas palavras ditas por Spurgeon, muitas estações já ficaram para trás. E a igreja está mais distante ainda das verdades do evangelho, inclusive, da doutrina da soberania de Deus. Nós estamos vivendo tempos contrários, onde o homem é que tem o poder; o pecador é quem detem o poder da decisão nas suas mãos. Estamos vivendo em dias onde a última palavra é a do homem e não a de Deus. Esta é a fé que vem sendo pregada na igreja, na igreja que está corrompida. Muitos pastores tem afirmado que “o homem tem total controle do seu destino eterno” e “tudo depende do homem”. Que coisa!? O homem ter controle de sua vida! Que loucura! Esta é a marca do pecado, é a cegueira do pecado. Cegueira que nós pudemos observar em Israel, quando negou o Senhor da glória e também podemos observar em nossa presente geração.

Perceba irmãos, que quando se abandona essas verdades tão maravilhosas, o homem, assim como Satanás, passa a querer ser como o próprio Deus Todo-Poderoso. Ele considera-se Senhor do seu destino; pretende comandar o destino; ter o controle da situação; acha que tem a palavra final. Mas não é isso que a Sagrada Escritura nos informa.

Aqui, nesta passagem que João escreveu, nós vemos sobre a soberania de Deus sobre o seu povo, na redenção. Todo Israel parecia ter abandonado ao Senhor, recusado a Jesus. “Mas”, diz o verso doze, “todos quantos o receberam”, Deus, “deu-lhes”. Veja a graça de Deus estampada como letreiros iluminados na escura noite. A maioria das traduções em português traz a palavra “poder”, mas a melhor tradução é “direito”. Foi isso que foi adquirido por Cristo para os homens, o “direito de serem feitos filhos de Deus”. Há, meus amados irmãos, nunca esqueçam que Deus é Soberano. Nunca esqueçam que Ele é o Senhor de vivos e mortos! Nunca esqueçam que tudo está patente aos seus olhos! Nunca esqueçam o sentido da palavra “Soberano”, principalmente quando esta palavra se aplica a Deus! Ser Soberano é ter o direito total sobre tudo e todos! Ser soberano é ter o Direito sobre toda a sua criação; direito de fazer o que quiser, quando quiser, com quem ele quiser. É não estar sujeito a dar explicações dos seus atos, é poder dizer “terei misericórdia de quem eu quiser ter misericordia” e “tem Ele misericórdia de quem quer e endurece a quem quer”.

A nossa redenção, queridos irmãos, não está alicerçada em nós, nem nas nossas obras. A nossa salvação, a princípio, não depende de nossa própria vontade, pois se ela nos fosse entregue, certamente nossas inclinações carnais nos empediriam de desejá-la. A redenção não depende do homem, nem mesmo a mínima parte. Pois o Rei Eterno disse que “não depende de quem quer e nem de quem corre, mas de Deus exercer a sua misericórdia”. Nada fizemos para sermos salvos. Não houve participação humana, não houve trabalho em conjunto, como se cada qual tivesse que fazer uma parte da obra da redenção. Se você acha que fez alguma coisa, que tem alguma participação, certamente seu coração orgulhoso acha que possui algum mérito. Não, pecador, você não merece nenhuma honra! Toda a obra da redenção foi realizada por Jesus Cristo!

Nós podemos observar duas verdades neste texto que João escreveu. Vejamos quais são:

A SOBERANIA DE DEUS QUANTO A ELEIÇÃO.
Existe uma escolha que precede todos os tempos e eras. E esta doutrina Bíblica é infinitamente confortante para os filhos de Deus que amam a sua Palavra. Essa é uma verdade muito esplendida! Saber, meus irmãos, que Deus, antes mesmo de criar qualquer coisa, antes mesmo dos seis dias da criação, Ele já havia olhado pra você e para mim, para a sua igreja como um todo, e olhou para cada vida individualmente, e nos amou imensamente, e nos escolheu para a salvação. Deus elegeu para salvação. Na carta que Paulo escreveu aos Efésios, no capítulo um, versos 4 e 5, está escrito que “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”. Jamais devemos esquecer esta passagem! “Antes da fundação do mundo”! Veja isso. Deus nos escolheu antes que universo inteiro fosse criado, “para sermos santos e irrepreensíveis”. Que fim maravilhoso o Senhor determinou para nós!

“Nos escolheu”, aqui está a Eleição! Aqui está a Soberania de Deus na escolha de pessoas para a salvação, para todos a contemplarem. Quem pode negar esta Escritura? Atreve-se, pecador? Tens coragem de chamar Deus de mentiroso? Talvez muitos dos crentes de nossos dias prefiram fazer como o falecido padre Aníbal, que, quando encontrava uma passagem da escritura sagrada que condenava a prática idólatra, rasgava as páginas da mesma. Sua luta era em vão, dizia ele, depois de convertido ao evangelho, “sempre que comprava uma nova Bíblia, ali estavam as mesmas palavras escritas pelo profeta Isaías”. A escritura não muda, meu dileto irmão. Ninguém pode fugir da verdade que se encontra em suas páginas. Esta eleição foi “segundo o beneplácito de sua vontade”. Aqui está a Soberania de Deus! Sua vontade, seu beneplácito. Igreja do Senhor, quando nós compreendemos perfeitamente essas palavras da Escritura, Quando entendermos a realidade e a profundidade destas coisas, nós vamos adorar ao Senhor com muito mais ardor e força. Nós vamos declarar incansalvelmente: "Santo, Santo, Santo"! Ele nos escolheu; decidiu nos amar, nos salvar eternamente. Há, meu amigo pecador, meu irmão, você já estava na mente de Deus desde os tempos eternos, antes da existência de qualquer das coisas que poder ver ou imaginar. Isto porque Ele é Soberano: “Segundo o beneplácito da sua vontade”. Segundo o seu querer, Ele nos escolheu.

Israel parecia está totalmente decidido em desprezar completamente o Galileu. O verso onze diz que Jesus “veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam”. Israel parecia que tinha virado as costa para o Messias de Deus. O povo das promessas e da aliança da graça parecia está contradizendo a Escritura. A rejeição era visível, todos podemos constatar a força desta passagem. Parecia que os planos de Deus seriam frustrados, parecia que todo o plano de Deus iria cair por terra porque o Messias Jesus estava sendo rejeitado. Ninguém queria saber dele. Veio para seu próprio povo, os judeus, mas eles não o receberam. “Mas”!. É certo que houve uma eleição na eternidade. Houve uma eleição para salvar pecadores, e isso para a inteira glória de Deus. Eleição para salvar a sua alma do inferno! E havia um povo, sim, dentre os Israelitas, que foram alcançados, guardados por essa eterna eleição. Homens que não negaram o Messias; que receberam a Jesus como o Filho de Deus; e a narrativa do evangelho está cheia destes exemplos. Olhe para Pedro, apóstolo de Jesus: um Israelita! Olhe para Paulo, “hebreus dos hebreus”: um Israelita! Olhe para João, autor deste evangelho, ele também era israelita! homens e mulheres que foram até Cristo e se renderam aos seus pés. Almas que confessaram a Jesus como o Senhor de suas vidas. Israelitas eleitos de Deus; que estavam na mente de Deus antes da fundação do mundo.

Irmãos, Não podemos rejeitar a verdade de Deus quanto a eleição. Quanto a escolha soberana de Deus de pecadores para a salvação. É bem verdade que a eleição não abrangeu apenas a nação de Israel. Todos os povos contam com aqueles que foram escolhidos. Deus elegeu gentios, homens de outra nacionalidade, para receberem gratuitamente a herança dos santos. Olhe para Rute, para Raabe, a prostituta cananéia, olhe pra você! Se você me perguntar: Quem são estes eleitos? Eu digo: São “todos quantos o receberam”! Veja, João deixa claro que a eleição, a salvação, não era somente para Israel; que não era a etnia judaica que seria salva. De fato, era assim que os fariseus pensavam; eles, cheios de presunção, diziam: “nós somos filhos de Abraão”. Achavam que a salvação era ‘somente’ para Israel. Mas não era como eles imaginavam. Deus escolheu dentre todos os povos, pois a Escritura diz que estes eleitos “entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9).

“todos quantos”, diz João, não só para Israel. Não a lugar para esforço humano na doutrina da eleição. Deus não te escolheu porque viu algo bom em você; na verdade, Deus só viu miséria em sua vida. O que Deus viu em você, irmão, é aquilo que estava transbordando sobre sua cabeça, ele viu um rio de pecado, um lamaçal de podridão em sua vida. Ele viu a sua desgraça, sua podridão espiritual e sua ruína. Deus não viu nada de bom em nenhum daqueles milhares de milhares que ele determinou escolher para salvação. Somente pecado, pecado, pecado. Não havia nada que levasse Deus a escolher você. Nada em você o atraia, nada em você era simpático para com o Senhor. Saiba amigo, que tu és um transgressor. E que não há nada pelo qual você possa se gloriar em sua eleição, se de fato tu és um daqueles que Deus escolheu. Se tu te glorias de alguma coisa, certamente a eleição não te alcançou! Estás perdido em teus pecados! Se achas que tem méritos, é porque tu estás morto em pecado! A eleição é soberana, meus irmãos, é pelo Beneplácito da vontade de Deus e nada mais. A eleição é sinônimo de graça pura sobre nossas almas. Se você é cristão, deve se prostrar e glorificar ao Senhor, que olhou para você na eternidade e decidiu te salvar. Aqueles que foram eleitos receberão a Cristo, nada os poderá impedir. Nada poderá fazer com que os eleitos parem no meio do caminho para a salvação; não haverá obstáculos que possam impedir os eleitos de virem a Jesus Cristo. Nada neste mundo pode impedir os eleitos de serem salvos. Essa é a grandeza desta doutrina, irmãos, nada lhes poderá impedir de verem o Senhor em sua glória naquele dia. Ora, Paulo, tinha uma grande consciência desta verdade soberana, ele pregava para que os eleitos de Deus pudessem se manifestar. Escrevendo a Tito, ele disse: “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade, na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos” (Tt 1.1,2). Ele sabia que Deus havia escolhido pessoas para salvação; que a fé destes homens era um dom gracioso de Deus; que tais homens seriam levados a salvação pela pregação da Palavra de Deus. Certamente que ninguém mais que aqueles que foram eleitos por Deus podem crer na Palavra. “Para promover a fé que é dos eleitos de Deus”, para que a fé dos eleitos se manifeste, por isso, somente eles e ninguém mais. Nós pregamos nas ruas de Campo Maior, nas praças, nas casas, em todo lugar; na esperança de que os eleitos de Deus venham a Cristo. Pois, pela pregação do evangelho, eles se manifestarão e responderão ao chamado do mestre.

Louve a Deus, querido irmão, pela sua eleição; por esta graça incrível que te cobriu e venceu a tua resistência e o teu esforço contra o evangelho. Glorifique a Deus por esta graça que não é suportada na maioria das igrejas. Que não é recebida e nem aceita por muitos; que é chamada de ‘antibíblica’, de heresia; de algo imoral e repugnante. Estes são os tempos do homem. O trem que Spurgeon falava já passou por várias estações, mas a Bíblia continua falando, seu testemunho permanece fiel, “mas, todos quantos lhe receberam, deu-lhes o direito de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome”. Queres saber realmente se tu és um dos eleitos, meu amigo? Responda sinceramente a minha pergunta: Você crê verdadeiramente em Cristo? Amas a Cristo de todo coração? Estás disposto a abandonar tudo por amor a ele? Se necessário for, estás pronto a morrer por ele? Se tua resposta for positiva, alegra-te meu irmão, tu és um deles! Pode adorar a Cristo, pois o sangue dele foi derramado por ti. É exatamente isto que João está respondendo. Quando alguém perguntar: “sabe quem são os eleitos de Deus?” O evangelho de João responde: “São aqueles que crêem no seu nome, [o nome de Jesus]”. Aquele homem que foi eleito vai receber a Jesus Cristo e vai confiar no que ele diz ser. Vai confiar nos seus méritos conquistados na cruz e vai descansar Nele. Vai estar nos braços dele e reconhecê-lo como o Senhor Todo-Poderoso. Esta é a fé e a confiança dos eleitos, meus amigos e irmãos. A nossa eleição e salvação é um reflexo da Soberania de Deus. A nossa redenção depende exclusivamente de Deus, desde a eternidade, está arraigada em Deus.

Em segundo lugar, João nos leva a entender que aquele que foi eleito soberanamente por Deus, deve passar por um novo nascimento, e aí constatamos:

A SOBERANIA DE DEUS QUANTO AO NOVO NASCIMENTO.
O Verso 13 vai deixar esta verdade mais clara do que nunca para nós. Primeiro, nos é dito que esta pessoa precisa nascer de novo.
Os eleitos, diz o verso 13, não “nasceram do sangue”. João menciona a necessidade e a realidade de um novo nascimento. Um nascimento espiritual; nascimento de uma nova criatura em Cristo. Meu dileto amigo, a eleição exige um novo nascimento! E todos nós sabemos que nenhum homem pode escolher nascer. Vamos falar da esfera terrestre, das coisas deste mundo, que são infinitamente inferiores às espirituais: Qual de vocês pediu para nascer? Qual de vocês pôde escolher os seus pais? Quem foi que escolheu nascer no lugar onde nasceu? No País, no Estado ou na cidade onde nasceu? Quem pôde escolher nascer em um berço de palha ou de ouro? Qual de vocês teve participação na decisão de sua aparência física? Ora meus irmãos, se nem mesmo nas coisas deste mundo nós temos o poder de decidir, imaginem nas coisas celestiais, imaginem nas coisas eternas, que tratam de nossa eterna eleição e salvação!

O novo nascimento é em si mesmo um outro nascimento. Requer que sejamos recriados novamente. Se o primeiro nascimento não dependeu de você, muito menos este segundo e perfeito nascimento espiritual. Este novo nascimento não é carnal, pois os eleitos “não nasceram do sangue”. A palavra sangue no texto original grego está no plural, ‘sangues’, e creio que apresente a idéia da união do pai e da mãe desta pessoa. Provavelmente esta seja uma referencia a mistura do sangue do homem e da mulher, misturas que todos nós carregamos. Há em cada um de nós traços de nossos pais, mas quanto ao novo nascimento, este nada tem a ver com nossos pais biológicos. Folhos de pais crentes não estão salvos a menos que abracem o evangelho com todas as suas forças. João está dizendo que este novo nascimento não dependeu de seu pai e nem de sua mãe. Na verdade, o que nós recebemos de nossos pais foi a semente da corrupção e do pecado. Foi a maldita natureza pecaminosa que se impõe contra nós e nos arrasta para longe de Cristo. Talvez, aqueles judeus que se apoiavam na idéia de serem descendência de Abraão, legítimos israelitas, agora compreendessem que não podiam ter como desculpa para a sua negligencia a sua condição étnica.

Este nascimento não dependeu do pai e nem da mãe. Também “não nasceram da vontade da carne”, ou seja, os impulsos e desejos sexuais e carnais não foram responsáveis pelo nascimento espiritual dos eleitos. Na realidade, em muitos casos tais impulsos sexuais são originados de desejos pecaminosos alimentados pelo coração humano. Não, o novo nascimento em nada depende dos desejos sexuais. Depende do desejo santo de Deus, em trazer o pecador a vivida; em ressuscitá-lo dos mortos, visto que todos os homens estão “por natureza mortos em seus delitos e pecados”. João nega a participação humana em suas afirmações negativas, “não é do sangue” e “não é da vontade da carne”, qualquer espécie de obra humana é destruída, como foram as muralhas de Jericó. Não se gabe amigo, visto que tais coisas não estão ao seu alcance.

Reconheça amigo pecador, o novo nascimento é obra exclusiva do poder de Deus! Nada foi feito pelo homem, nada dependeu do homem, e sim, de Deus. “mas, de Deus”. De Deus, apenas. Observe com atenção: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Que coisa maravilhosa: “mas, de Deus!” É obra de Deus, da soberania de Deus! A nossa salvação vem completamente Dele! Que golpe mortal foi proferido agora contra aqueles que combatem esta doutrina santa! Estas palavras deveriam nos lançar no pó e na cinza; deveriam nos fazer chorar, nos dar um senso profundo de humilhação. Hó, irmãos, sintam estas palavras poderosas penetrarem em sua alma, lavarem sua mente, purificarem seu entendimento. Há, irmãos, se você está sentindo isso, você está agora na dependência de Deus. Sentindo-se incapaz e humilhado, e este é o sentimento que deve transbordar, é este sentimento que vai nos fazer olhar para Jesus e buscá-lo.

Talvez você até pensasse que a sua nova vida dependeu alguma coisa de você. E você dizia: “na noite em que conheci a Cristo, eu fui convidado pelo pastor a ir até a frente e declarar publicamente a minha fé em Jesus. Pensei bem e decidi receber a Cristo”. Você diz: “fui convidado a amá-lo e então decidi que iria amá-lo para sempre”. Pois o evangelho te diz: “nós o amamos porque Ele nos amou primeiro”. Você o amou, sim, mas somente porque Ele te amou primeiro, antes da fundação do mundo! Quem mudou a sua mente e seu coração foi Cristo! Quantas vezes, meu irmão, tu recusastes obedecê-lo? Quantas vezes você o recusou, quando Ele era apresentado a você, para dar-te a salvação? Quantas vezes você disse não? Até que Ele tirou as escamas dos teus olhos, até que Ele colocou no teu peito um coração novo, até o dia em que ele te “chamou com santa vocação”. Neste dia, pecador, não conseguiu resistir ao seu chamado, pois o teu nome estava escrito “no livro da Vida do Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo!” Você já estava lá! Não é seu o mérito da eleição e nem tão pouco do novo nascimento.

Mas a realidade hoje é que muitas igrejas já desprezaram essa verdade. Muitos crentes já abandonaram essas doutrinas. Que loucura se apoderou do homem! Devemos questionar se tais homens são verdadeiramente salvos pelo Cordeiro; pois tais homens não aceitam a verdade, antes, a repudiam. Eles chamam Deus de mentiroso, injusto; tais homens lutam contra o Senhor. Mas a Eterna revelação nos mostra que com Deus não se discute, pois “quem és tu, ó homem, para discutir com Deus?”, quem pode colocar o Senhor de toda a eternidade contra a parede e questionar as suas decisões? Somente um louco! Nunca, jamais, poderíamos conceber que uns daqueles que nasceram de novo possam levantar tal questionamento contra o Soberano, contra o justo Juiz de toda terra. A redenção do homem está na soberania de Deus, que escolheu derramar a sua graça sobre alguns homens e separá-los para Ele mesmo.

Quando Spurgeon estava prestes a morrer, ele estava em uma grande luta contra o declínio espiritual da igreja. A igreja que ele pastoreava chegou a ter mais de dez mil membros. O Tabernáculo, nome de sua igreja, tinha uma capacidade para mais de oito mil pessoas. Nos dias de culto, uma multidão ficava do lado de fora, visto que a lotação já estava completa. Mas, nos seus últimos dias de vida, um homem escreveu a cerca dele: “O reverendo Spurgeon agora está sozinho. Todos os pastores o abandonaram. Ele agora está só na sua fé calvinista”. As pessoas queriam um evangelho menos rigoroso e mais ecumênico, exatamente como hoje nós vemos. Eles não zelavam pela doutrina, queriam uma unidade a qualquer custo, mesmo que isso implicasse em abrir mão de algumas verdades. Hoje, muitos estão dizendo: “vamos nos unir com as igrejas pentecostais, ou com os neopentecostais” e uma voz bem longe bradará: “e como ficam as verdades do evangelho?”, então eles dirão: “isso não é mais importante do que a nossa união”. Não existe essa união, meus irmãos. Se não falamos a mesma língua, se não temos o mesmo pensamento, não podemos estar unidos de verdade. Como você pode está unido com alguém que nega as grandes afirmações do evangelho? Como poderás tu dizer amém após a oração daquele que ensina o erro? Isto é falsidade e mentira. Falsa união, apenas de aparência. Temos que falar das mesmas coisas, termos um só pensamento, e se alguns negam as doutrinas da Bíblia, como poderemos está unidos com eles?

Os batistas guardavam bem esse princípio. Uma pessoa para ser recebido em uma igreja batista, se vier de outra igreja batista, deve ser pedido carta de transferência do mesmo, mas, se vem alguém de uma outra denominação evangélica, ele precisa se submeter ao batismo, mesmo que já tenha sido submetido a essa prática. As igrejas batistas não precisam de carta de transferência de outras denominações evangélicas.

Muitas são as denominações que colocam tudo nas mãos do homem, que, pelas suas crenças, afirmam que todo o plano de Deus depende do homem. “Deus veio salvar, mas se o homem disser: não quero! O seu plano eterno será frustrado”. Um evangelho antropocêntrico e maligno! Ninguém pode frustrar os planos de Deus! Aqueles que foram eleitos serão nascidos de novo. Essa é uma certeza absoluta, porque os seus nomes estão no livro da vida! Eles ouvirão a voz do supremo pastor, certamente que ouvirão, e passarão da morte para a vida! Este é o novo nascimento.

O pastor americano John Macarthur falando sobre a soberania de Deus na salvação, disse: “se alguém me pergunta: Pastor Macarthur, você pode me explicar o que é o calvinismo?” Ele responde: “o calvinismo é o sistema doutrinário que diz: Ao Senhor pertence a salvação!”. Este é o sistema doutrinário que encontramos na Bíblia!

Estas duas partes da redenção estão tão unidas como a nossa pele está unida ao nosso corpo. Tentar retirar qualquer destas duas verdades, a eleição ou o novo nascimento, é como tirar a pele de um ser humano. Permaneça, pois, como sentinelas da verdade de Deus! Não fuja da verdade, não se junte aos que a menosprezam e a difamam. Querido irmão, levante a sua cabeça e lute pela “fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”.
Amém!

Este sermão pregado pelo irmão Marcus Paixão, na capela da Segunda Igreja Batista em Campo Maior, na noite do dia do Senhor, em 28 de setembro de 2008.

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A Evangelização e o problema que só Deus pode resolver

Este sermão foi muito polêmico e causou o desconforto em vários líderes batistas locais, tendo em vista o conteúdo doutrinário da soberania de Deus na salvação ter sido anunciado de forma tão explicita.

"Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia" (João 6.44).


No século XVIII, na Inglaterra, viveu um homem, cuja profissão era consertar sapatos. Homem firme e determinado. Certo dia, no seu local de trabalho, fixou na parede um mapa mundi que ele mesmo desenhara. Neste mapa havia as principais informações sobre cada país: população, flora, fauna, as características dos indígenas, e muitas outras informações. Enquanto consertava sapatos, erguia os olhos para a parede e vislumbrava o mapa e meditava nas condições dos vários povos e a maneira de os evangelizar. Em 1793, Ele partiu para a Índia com o intuito de evangelizá-la. Durante os 41 anos que passou nesse país, traduziu a Bíblia para mais de 30 línguas.

Este humilde sapateiro era William Carey, membro de uma Igreja Batista da Inglaterra. William Carey ficou conhecido como “o pai das missões modernas” depois de sua colossal obra evangelística realizada na Índia.

PARTE I
A evangelização é obra de Deus
A evangelização é uma obra de Deus em todas as suas partes, nós somos apenas instrumentos em suas mãos, engana-se quem pensa o contrário. Não foram os homens que decidiram por si mesmos que deviam evangelizar as nações. Antes, toda obra evangelística que existe, incluindo missões, é realizadas totalmente por Deus. Foi Deus quem incumbiu A SUA IGREJA dessa tarefa, pois Deus conhece a condição do ser humano e sabe que ele precisa de Jesus Cristo para escapar da morte. Foi por isso que Ele enviou seu filho ao mundo.

Depravação humana
A incapacidade do homem é tamanha, que na Bíblia ela está estampada categoricamente. O homem é pecador por natureza, e precisa de Jesus Cristo, embora ele não entenda assim. O homem não se torna um pecador, ele já nasce pecador. Deus falou por intermédio do profeta Isaias: “ ... porque eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno” (Is 48.8). Paulo, escrevendo a igreja dos efésios, disse: “Éramos por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.3). O mesmo Paulo, citando o salmo 14, escrevendo aos crentes de Roma, disse: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, 16 nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3.10-18).
Veja como o homem é descrito na Bíblia; um terrível pecador que não deseja buscar aquele que pode lhe salvar. Não é uma questão do homem começar a se extraviar depois do seu nascimento, é uma questão de NATUREZA, ele já nasce com a sua natureza extraviada, ou seja, voltada para o pecado.

Jesus também nos mostrou a incapacidade humana claramente, quando disse: “ninguém poder vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Meus amigos, estamos diante de um grande problema que só Deus pode resolver. O homem precisa de Cristo, mas está incapacitado de buscá-lo, porque tem uma natureza que ama as coisas desse mundo, os prazeres carnais, a mentira e tudo que é pecaminoso, e odeia a Jesus Cristo. Exatamente isso, além de amar o pecado, o homem natural odeia a Deus e sua santidade. Está escrito: "os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece (litet. 'odeia') a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. " (Jo 3.19,20). Esse é um grande problema para o homem.

Os Batistas descreveram de maneira exata a situação do homem não convertido. No cartaz oficial da Campanha de Missões Mundiais (2007), nos é apresentado um grande quadro com um fundo preto, simbolizando o estado de trevas, escuridão e ignorância espiritual. O rosto com os olhos fechados no meio do quadro preto simboliza os indivíduos de todas as nações que vivem sem Cristo. Além de estarem em trevas, os seus olhos ainda estão fechados. Essa é exatamente a descrição bíblica do homem. Esse estado em que o homem se encontra o impede de ir a Cristo. Quando Jesus diz que “ninguém pode”, ele está mostrando a incapacidade do homem em buscá-lo por si mesmo, independente de qualquer ação de Deus. Jesus está dizendo que o homem não tem este poder nele mesmo. Quando Nicodemos, que era um dos mestres dos Judeus, foi ter com Jesus, ele escuta da boca do mestre essa mesma verdade, “em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. (Jo 3.3). Ora, a condição natural de Nicodemos, que não era servo de Cristo, o impedia de “ver o reino de Deus”. A única maneira de mudar isso, era se ele nascesse de novo. O nascer de novo é algo impossível de ser realizado pelo homem, tanto física como espiritualmente. Ele não tem esse poder, essa capacidade.


Jesus, o Salvador
Nunca pisou na terra um homem como o Senhor Jesus Cristo, Ele falava das maravilhas de Deus e da salvação eterna, e estas coisas ele falava com autoridade, não como os fariseus (Jo 7.46). Ele falava com amor, chamava todos ao arrependimento, seu chamado é sincero e verdadeiro. Jesus pregou em vários locais, ele foi incansável em sua obra, suportou as piores tentações, e nunca pecou em toda a sua vida. Ele deu a vida pelos seus seguidores. Sofreu uma morte humilhante para salvar aqueles que ele amava. Ainda assim, nada disso atraia os ouvintes, poucos foram os que acreditaram em suas palavras. O dom mais precioso que já fora oferecido aos homens estava sendo rejeitado. Os homens preferiram um ladrão e assassino à Ele. Gritaram, exigiram a Poncius Pilatus para que ele fosse morto da maneira mais humilhante que existia, pendurado numa cruz, completamente nú (Mc 15.12-14). Ele foi humilhado, mas orou para que os que o odiavam fossem perdoados (Lc 23.33,34). O Salvador que as pessoas tanto precisam estava diante delas. Suas mãos furadas pelos cravos lhes foram estendidas, mas eles as recusaram. Que grande dureza de coração, que tamanha cegueira espiritual nas pessoas não-convertidas. Nada pode mudá-las, a não ser a graça do Todo-Poderoso. Que loucura é o homem desprovido da graça de Deus, não pode entender que está perdido, nem mesmo diante do apelo dos seus amigos. Os pastores imploram para que se arrependa, a Bíblia o exorta em todas as suas páginas, mas ele continua obstinado a permanecer no mesmo caminho. Cristo, com todos os seus benefícios é colocado diante de você. Todavia, a menos que o Espírito Santo abra os seus olhos e o faça entender isso, ele permanecerá incrédulo, inimigo do evangelho, odioso de Cristo. Continuará desencaminhando a sua própria alma. “NINGUÉM PODE vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer”.

O homem não pode ir a Cristo por suas próprias forças, primeiro porque ele não quer, não é esse o seu desejo, não é desse tipo de oferta que os homens gostam, eles são atraídos pelo pecado, contrários ao evangelho. Jesus diz: “Contudo, NÃO QUEREIS vir a mim, para terdes vida” (Jo 5.40). O pecado afetou a vontade do homem. A natureza do homem está corrompida, logo, a sua vontade também está. O homem NÃO QUER, porque ele NÃO PODE.

PARTE II
A graça misericordiosa
Veja a grande importância da pregação do Evangelho no mundo todo. Deus, pela sua graça, seu favor imerecido ao homem, o chama para a salvação perdoando todos os seus pecados. Só Deus pode fazer a mudança necessária na vontade corrompida do homem. Nenhuma outra pessoa tem poder para fazer isso. Nem pastores, nem igrejas, somente o Deus Todo-Poderoso, pela atuação do Espírito Santo pode operar no coração do homem, levando-o, sincera e desejosamente, aos pés de Cristo. Através da Palavra, o homem é chamado, mas que um simples chamado, ele é atraído a Cristo pela força amorosa de Deus.

Os muitos missionários que estão no mundo todo pregando o Evangelho de Jesus devem ter na mente essa verdade gravada com letras de ouro. É Deus, o Pai, quem faz o homem se render a pregação da Palavra e o conduz carinhosamente até Cristo. Como Deus faz isso? Ele abre o entendimento do homem pecador que antes desprezava o Evangelho. Paulo disse que “o homem natural NÃO ACEITA as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura, e NÃO PODE ENTENDÊ-LAS porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14). Deus opera de modo que o homem voluntariamente passa a entender a verdade da pregação do Evangelho. E começa a aceitar e a amar a palavra que antes lhe parecia loucura. Deus é o grande responsável pela evangelização do mundo, a obra toda é Dele, o mérito todo é Dele. O poder que transforma o homem é Dele. Paulo não teria logrado êxito algum, se estivesse trabalhando na evangelização dos gentios a parte de Deus. Ninguém teria acreditado em sua pregação, ninguém teria sido levado a Cristo. “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de Púrpura, temente a Deus, nos escutava; O SENHOR ABRIU O CORAÇÃO DE LÍDIA, PARA ATENDER AS COISAS QUE PAULO DIZIA” (At 16.14) Se a pregação de Paulo não viesse acompanhada do poder de Deus, tão pouco alguém poderia ter se arrependido.

A oração missionária
Devemos orar pelo bom trabalho de cada missionário. Pedir que Deus os use como instrumentos para a salvação de almas. Devemos orar pedindo ao Senhor da ceara para que mande trabalhadores e para que o mesmo Senhor aja por meio deles. Nunca devemos dar os méritos de Deus a homem algum, nem mesmo aqueles que são usados por Ele para a evangelização. Um missionário não tem poder para convencer ninguém do seu pecado, essa é uma obra do Espírito Santo: “Quando ele vier, CONVENCERÁ o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). O missionário é um homem pecador, não tem mérito na salvação de ninguém, mas ele é um pecador arrependido nas mãos de um Deus que quer perdoar e salvar. Não adianta enviarmos milhares e milhares de missionários todos os anos para as terras mais longínquas imagináveis; se Deus não usá-los, não haverá conversões. A nossa oração deve ser pela misericórdia do Senhor, em toda evangelização devemos orar para que o Senhor se compadeça e salve pessoas.

“Ninguém pode vir a mim SE O PAI... NÃO O TROUXER...”. Eis a grande verdade: O Pai tem que levar o homem até Jesus Cristo. Mas ele não o leva forçosamente, ele não obriga o homem a ir até Cristo contra a sua vontade. Ele ABRE OS SEUS OLHOS para que ele possa ver e entender. Deus, verdadeiramente, traz o homem até Jesus Cristo.
No texto de João está escrito que ninguém pode vir a Cristo se o Pai não o TROUXER. A verbo trazer (em grego 'elkô'), significa literalmente: arrastar, atrair, trazer, puxar. Ela mostra que a ação de levar alguém aos pés de Cristo é feita totalmente por Deus. Deus Arrasta, não forçosamente, em sentido contrário ao querer humano. Ele arrasta como alguém quem está arrastando alguma coisa para salvá-la de uma grande enchente, ou como Pedro, que arrastava as redes cheias de peixe para dentro do barco ( Jo 21.6). A mesma palavra usada para descrever Pedro arrastando as redes repletas de peixes para o seu barco, é a mesma usada por Cristo para descrever a ação de Deus em arrsatar o pecador até Cristo, sua única esperança. Deus atrai pecadores como um poderoso imã atrai o ferro. Deus traz os pecadores, como alguém que leva outra pessoa a um determinado lugar, de forma que eles possam ir até Cristo. Deus puxa os pecadores, da mesma forma como alguém que, estando pendurado em um precipício e já prestes a cair, é puxado e salvo. Essa ação poderosa é realizada por Deus.

O poder da Palavra
Quando o evangelho é pregado, Deus está conclamando os homens que se arrependam e venham a Cristo. Nossos missionários proclamam a bendita Palavra do Senhor Salvador por todas as terras, não esperando convencê-los pela sua oratória, nem pelas suas mais variadas expressões corporais, seus currículos extraordinários ou qualquer outro artifício humano, mas, aguardando unicamente que Senhor os traga poderosamente. Se o evangelista esperar que o pecador venha a Cristo por outra razão, ele está tristemente enganado. Muitos pastores, se gabam pecaminosamente e andam dizendo por aí: "Ontem preguei e 40 ou 50 pessoas vieram afrente quando eu fiz o apelo e se converteram". Pobre pastor, homem arrogante e orgulhoso, ainda não sabe que o pecador é salvo pela GRAÇA DE DEUS. Acham-se os grandes missionários, os conhecedores do coração humano, os melhores pregadores. Tremendo engano! O evangelho é Poderosa Graça e não filosofia. Uma simples palavra pode salvar o pior dos pecadores. Jesus disse a Mateus, “segue-me”, ele, na mesma hora se levantou e deixou a sua lucrativa profissão e foi seguir o Galileu (Mt 9.9). A simples apresentação de Cristo, quando aplicada pelo Espírito Santas ao coração, desfaz toda a incredulidade. Missões evangelísticas são nada mais, nada menos do que a simples pregação da palavra de Deus.

1 - Missões evangelísticas são extremamente necessárias, pois somente através delas, o homem pode ser salvo. Foi esse o meio que Deus escolheu para salvar os pecadores, através da pregação do evangelho.

2 – Missões evangelísticas são extremamente necessárias porque o homem está corrompido pelo pecado e não pode ir a Deus de outra forma. A única força capaz de desfazer a incapacidade do homem é a ação salvífica do Todo-Poderoso, através da sua Palavra.

3 – Missões não necessariamente quer dizer que você tenha que ir para outras terras. Missões é evangelização! A todo cristão cabe o dever de ser um missionário que leve a Palavra de Deus, seja em um outro país, seja em outro estado, seja em outra cidade, seja em outro bairro ou mesmo em outra rua. Leve a Palavra e muitos crerão Nela.

As igrejas da Convenção Batista Brasileira têm 598 missionários fora do Brasil, trabalhando em 62 países pela proclamação do evangelho de Jesus Cristo. Que a nossa sincera oração para a salvação das almas nessas nações seja ouvida pelo Senhor que os chamou.
Amém.


Este sermão foi pregado no dia 03 de março de 2007, pelo irmão Marcus Paixão, na capela da Congregação Batista Nova Jerusalém, por ocasião da abertura da Campanha de Missões Mundiais, organizada pelos batistas brasileiros no ano de 2007.

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A Universalidade do Pecado

Este é o resumo de um sermão faz parte de uma série de exposição na primeira carta do apóstolo João e está disponível em áudio gratuitamente. Se desejar receber o áudio, solicite-o através deste blog postando um comentário.

"Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós" (1 João 1.8).

Há um fato que não se pode esconder. Não há presídios o suficiente para todos os criminosos que existem. Todos os dias nos deparamos nas páginas dos jornais com os mais terríveis crimes. A taxa de criminalidade vem crescendo assustadoramente. O Poder Judiciário é insuficiente e falho. Todos os dias milhões e milhões de delitos são cometidos no mundo todo. O que é mais grave, é que os homens que são colocados em posição de autoridade, e que deviam combater a criminalidade, estão tão culpados quanto os outros. Existe corrupção na polícia, no poder judiciário, onde muitos dos juízes são os verdadeiros bandidos. Na política, os homens responsáveis por elaborarem as leis, não as obedecem, por se acharem acima dela. Homens de terno e gravata são os que tem cometido os crimes mais vergonhosos em nossa pátria.

O Ensino que João estava combatendo era peçonhento e enganador. Primeiro, os falsos mestres alegavam que o pecado não apartava o homem de Deus, ou seja, mesmo estando vivendo em pecado, a comunhão com Deus era mantida (1Jo 1.6-7). Parecia pelo menos haver um entendimento de que o pecado era algo real, apesar de não afetar em nada a nossa comunhão com Deus. Mas, o gnósticismo parecia mesmo ensinar que o pecado poderia ser completamente erradicado do homem através do conhecimento secreto (gnosis). O homem poderia, depois de ter adquirido o conhecimento secreto, não mais ter pecado, ou não mais pecar. (1Jo 1.8)

1 – O PECADO NÃO PODE SER ERRADICADO
Mais uma vez, João começa com a expressão “se dissermos”, o que parece indicar o sistema de doutrinas ensinadas pelos falsos mestres. E isto era exatamente o que eles estavam disseminando dentro da igreja. Primeiro, que o pecado pode ser erradicado, extirpado. Todo homem que recebesse o ensino gnóstico não mais seria pecador, no sentido de ter pecado. Seria um ser superior, incapaz de pecar, limpo. Na realidade, o que parece estar sendo ensinado era que o homem após obter o conhecimento secreto deixaria de ter uma natureza pecaminosa, visto que pecamos porque somos inclinados ao pecado, justamente por termos uma natureza pecaminosa. O gnosticismo ensinava que os seus seguidores já haviam alcançado um estado de perfeição moral tão grande, que já eram capazes de viver sem pecar. O pecado não mais era algo na vida deles. Essa concepção tornava o homem superior a Adão. Visto que Adão, antes da queda, não tinha ainda a natureza pecaminosa, mais ainda assim, poderia cair em pecado, como de fato foi o que aconteceu. O homem que obtivesse esse conhecimento secreto daria um salto monstruoso em relação aos outros homens. Seria o homem aperfeiçoado e incapaz de pecar. O gnóstico estaria no mesmo estado moral que estaremos na glória eterna. Ainda mais pretensiosa é a idéia de que o homem gnóstico seria igual a Jesus Cristo, incapaz de cometer qualquer pecado. Nem por palavras , atos ou mesmo pensamentos. Se as palavras de João “Se dissermos que NÃO TEMOS PECADO” realmente indica que este era o ensino provindo dos falsos mestres, fica clara a urgência de se combater essa heresia naquela época. Ela trazia uma condição falsa ao homem.

NÃO EXISTE PECADO
Por outro lado, pode se cogitar também a idéia da completa inexistência de pecado, ou seja, o pecado não existe. Apesar de ser uma idéia bem disseminada nos nossos dias, ela é falsa e anti-bíblica. Freud, o pai da psicanálise, defendia essa idéia. Para ele o pecado não existia. Ouço muitos afirmarem por aí, que o pecado não existe. Esse é um ensinamento comum e corriqueiro. Acreditar na existência do pecado é ser taxado de fanático religioso ou ignorante. Mas, todas as afirmações bíblicas nos levam a ver a realidade do pecado em nossas vidas. Uma realidade que pode ser trágica para o homem. O pecado traz conseqüências eternas. Pode levar o homem a condenação certa e sem direito a uma segunda chance. O pecado nos afasta cada vez mais de Deus, nos leva a lugares sombrios, faz com que pensemos no que não deveríamos pensar. O pecado é como um vício, que mais cedo ou mais tarde, trará o resultado de sua prática corriqueira, a morte. Muitos filósofos e psicólogos tem sido responsáveis por essa idéia da não existência do pecado. Pobres tolos, não sabem que estão tão afogados em pecados, que nem mais podem reconhecê-los. Outros tem dito: “o que muitos dizem ser pecado, nós dizemos ser apenas falta de uma boa educação”. Esses são os defensores da idéia de que se peca por não sermos bem instruídos, como se a boa educação fosse capaz de vencer a natureza pecaminosa que temos. Quantos são os pecados cometidos por professores universitários, com doutorado e outros títulos do saber? Por ventura esses homens não pecam? Crimes tem sido cometidos por eles, tantos quanto o analfabeto comete. Somente Jesus Cristo pode vencer o pecado. Somente ele pode nos purificar de todo pecado.

NÃO EXISTE PECADO, AGORA
Há também a sugestão de que os gnósticos estavam afirmando que não existe pecado agora, depois de o homem ter recebido o conhecimento secreto. Eles tinham pecado no passado, agora, não tem mais pecado. Quando tinham recebido simplesmente o evangelho, eles ainda eram pecadores. Embora, como temos visto, eles entendessem que o que é material é desprovido de qualquer valor, pelo contrário, era algo mal. No entanto, o espírito, por ser espiritual, era bom. Nesse ponto, se esse fosse o ensino gnóstico, o poder desse conhecimento adquirido, era superior ao poder do sangue de Jesus. Pois, visto que todo cristão sabe que é um pecador, e o será enquanto estiver vivendo na terra. Com essa base, sabemos que somos salvos pela fé em Cristo, e que pela fé, nossos pecados são perdoados, mas isso não quer dizer que nós não pecamos mais. O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado, indica que, todos os pecados que cometemos na passado, no presente e no futuro, são PERDOADOS, mas permanece o fato de que AINDA PECAMOS.

AS CONSEQUENCIAS DO ERRO
Embora não possamos com precisão identificar o significado exato dessa doutrina que João estava combatendo, sabemos que a afirmação implica na ausência de pecado. Seja por erradicação, seja por ele mesmo nunca ter existido, ou seja por ele desaparecer completamente por algum tempo, o fato que qualquer dessas afirmações nos colocam em uma situação contrária a Palavra de Deus.
1 – A primeira conseqüência é o fato de estarmos nos enganando. Não estamos simplesmente sendo enganados por darmos credito ao falso ensino, também estamos nos enganando a nós mesmos. Existe no homem uma tremenda consciência de culpa quando ele erra. Essa consciência está presente em todos os homens, pois ela é a própria lei de Deus escrita em nossos corações. Paulo disse: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram A NORMA DA LEI GRAVADA EM SEU CORAÇÃO, testemunhando-lhes também a CONSCIÊNCIA e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2.14,15). Eram chamados gentios todos as pessoas que não eram judeus, ou seja, todas as outras nações, exceto a nação de Israel. Paulo está dizendo que a Lei nunca foi revelada a eles, mas que eles a tinham gravada em seus corações. A consciência de um cristão é muito maior, visto que o Espírito do Senhor estar com ele. O Espírito Santo nos ilumina e nos dá entendimento e faz com que reconheçamos os nossos pecados. O Cristão, além de ter a lei escrita no seu coração, de ter a sua consciência acusando-o, o que já seria o suficiente diante de Deus, ele também tem a Lei escrita, a própria Palavra de Deus, que o exorta e ensina o caminho em que deve andar. Por tanto, quer crentes, quer descrentes, quando a realidade do pecado no homem é retirada, o homem engana-se a si mesmo.

2 – A outra conseqüência é que quem pensa assim não está com a verdade. A verdade não se faz presente em sua vida. Ele é um homem que vive em meio a uma mentira, ele é um mentiroso, um pobre mentiroso. Se a verdade estivesse nele, a primeira coisa que ele faria, seria reconhecer a sua culpa diante de Deus. Reconhecer que é um pecador. O homem cuja verdade se faz presente em sua vida reconhece a seriedade do pecado, ele tem um grande senso de culpa. No dia 8 de julho de 1741, quando Jonathan Edwards, pregou em sua igreja o célebre sermão intitulado “pecadores nas mãos de um Deus irado”, homens e mulheres foram despertados de seus pecados. Este sermão foi pregado quando, nos Estados Unidos, um grande despertamento espiritual estava acontecendo. Quase todos que ouviram esse sermão dizem que tamanho foi o poder de Deus, que quando Jonathas Edwards pregava, muitos eram os homens e mulheres que choravam e gritavam. Um grande sentimento de pecaminosidade envolveu todos eles. Homens se agarravam nas colunas da igreja, clamando pelo perdão de Deus. Irmãos, quando Deus age com o seu poder, ele faz com que o homem perceba o seu terrível estado. O grande despertamento nos Estados Unidos levou muitos aos pés do salvador Jesus, pois eles foram cheios da verdade, e essa verdade os levou a um profundo sentimento de angustia, por serem todos pecadores. Esse sentimento os levava a confessarem os seus pecados a Deus.

APLICAÇÃO
1 - Devemos dia a dia, admitir a realidade do pecado em nossas vidas. Reconhecermos que o pecado é tão grave, que ele levou Jesus a morrer na cruz do calvário. Ele carregou os nossos pecados, ele foi punido pelos nossos pecados.

2 – Mas não só admitir que somos pecadores é o suficiente. Nós também não devemos negligenciá-lo. Não devemos pecar na certeza de que Deus vai nos perdoar. Isso só revelaria que somente temos um conhecimento puramente racional de Deus. Isso demonstraria que ainda não provamos a salvação, pois aquele que foi resgatado e teve seus pecados perdoados, não pode viver pecando. Ele busca a santidade não a devassidão.

3 – Não despreze aqueles pecados que parecem sem importância, ou aqueles que parecem ser pequenos. Eles podem levar a sua alma a se perder eternamente no inferno. Pecado é pecado. Jesus morreu para redimi-lo de todos eles, dos grandes e dos pequenos, visto que ambos são fatais.

Toda a corrupção vista nos homens de todas as nações, tanto os homens letrados como os analfabetos é o pecado. O problema do mundo chama-se pecado! A solução para esse problema chama-se Jesus Cristo. Ele, e somente ele, é a propiciação pelos nossos pecados.

Marcus Paixão
Sermão pregado na capela da Congregação Batista Nova Jerusalém, no dia do Senhor (04/03/07).

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Amor Eterno de Deus (Malaquias 1.1-5)

Este sermão faz parte de uma série de exposições no livro do profeta Malaquias, proferidas na Segunda Igreja Batista em Campo Maior, no ano de 2008, nas noites de quarta feira, pelo pastor Marcus Paixão.
1 Sentença pronunciada pelo SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias. 2 Eu vos tenho amado, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? -- disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, 3 porém aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto. 4 Se Edom diz: Fomos destruídos, porém tornaremos a edificar as ruínas, então, diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, mas eu destruirei; e Edom será chamado Terra-De-Perversidade e Povo-Contra-Quem-O-SENHOR-Está-Irado-Para-Sempre. 5 Os vossos olhos o verão, e vós direis: Grande é o SENHOR também fora dos limites de Israel.

Malaquias é um profeta pouco conhecido de todos nós. A tradução do seu nome significa literalmente “meu mensageiro”. Ele é um dos três profetas pós-exílico, que atuaram após a saída de Israel do cativeiro. Não podemos esquecer deste grande período em que Israel estava aprisionado por uma nação ímpia, que não conhecia o Senhor. Israel passou 70 anos aprisionados, longe de sua pátria, da terra da promessa, da cidade santa e do templo, onde toda a nação se congregava para oferecer sacrifícios ao Deus eterno e adorá-lo continuamente. Isaías, que começou seu ministério profético em 740 a.C. Cerca de 280 anos antes de Malaquias, já havia revelado que Israel seria feito escravo da Babilônia como uma forma de julgamento e disciplina divina, e que, 70 anos mais tarde, o próprio Deus os libertaria do cativeiro pelas mãos de Ciro, rei da Pérsia.
Todos esses acontecimentos eram levados a cabo pela vontade do Senhor. Deus estava provando a sua fidelidade em cumprir a sua aliança eterna com Israel. Deus estava revelando, mais uma vez, que era o Senhor do Pacto e não iria quebrá-lo. Era Deus mesmo quem dirigia todos os acontecimentos. Ciro, rei da Pérsia, é retratado pelo profeta Isaías como sendo o “pastor” e o “ungido” de Deus para ser o instrumento que o Senhor usaria para acabar com o cativeiro dos seus filhos (Is 45.1). A Palavra de Deus tem cumprimento exatamente na data em que estava prevista, ou seja, após os 70 anos de cativeiro babilônico, Ciro destrona o rei babilônico e conquista a terra dos caldeus. Ele então permite que os israelitas voltem para sua terra e reconstruam o templo. Nessa época, Jerusalém estava completamente arruinada. A cidade não tinha mais suas fortes muralhas que as protegiam contra o inimigo, Jerusalém não tinha mais templo, ele fora completamente destruído pelos babilônicos e saqueado os seus utensílios sagrados. Ela era um lugar desolado e penoso. Mas, em 516 o templo já estava reconstruído. Em 456 a população, em um segundo movimento, retorna a Jerusalém. Em 432 as muralhas da cidade são reconstruídas por Neemias. Tudo parecia está certo em Jerusalém. Parece que a nação escolhida estava novamente se voltando para Deus. Mas, apesar da misericórdia de Deus em libertá-los do cativeiro como estava predito, Israel continuava pecando contra Deus. Os cultos eram fingidos, não passavam de rituais mortos e insinceros. Os sacrifícios que eram levados ao altar de Deus eram abominação para o Senhor. Os sacerdotes não eram honestos no serviço do templo e desprezavam a Deus. O povo estava negligenciando suas ofertas e dízimos; a população em geral não obedecia a Lei e estavam desobedecendo a Deus, contraindo casamentos com mulheres pagãs de outras nações.
Foi nesse contexto que o profeta Malaquias se levantou. Ele era a voz de Deus contra uma nação que teimava em andar em desobediência ao seu Criador. Malaquias era a última voz profética que Deus levantaria na velha aliança. Israel precisava dar ouvido a esse último chamado de Deus.
Malaquias é muito claro em sua profecia. Ele foi levantado por Deus para trazer uma sentença contra Israel. Geralmente um oráculo profético que iniciava com essa palavra (no hebraico massá) representava um julgamento condenatório muito doloroso contra uma cidade ou contra uma pessoa. Era como se Deus colocasse sobre os ombros do seu povo uma carga muito pesada a qual eles não pudessem suportar. Mas Israel agora tinha de percorrer um longo caminho com essa carga. Essa profecia tem caráter condicional, ou seja, se Israel se arrependesse do seu pecado e regressasse para o Senhor, a nação seria perdoada, caso contrário, se Israel permanecesse em desobediência, receberiam a devida punição. Malaquias anunciara que a nação infiel receberia o castigo pelo seu desprezo ao Senhor e seu relaxamento espiritual e moral. Esta sentença condenatória já havia sido lançada sobre várias nações: A profecia de Naum contra a poderosa cidade de Nínive tem início com a mesma declaração “sentença contra Nínive (Nm 1.1)”. Quando, antes de Malaquias, Zacarias profetizou contra Israel, ele usou a mesma linguagem: “Sentença contra Israel (Zc 12.1)” . Isaías, profetizando contra as nações, usou diversas vezes esse oráculo de condenação (Is 13.1; 15.1; 17.1; 19.1; 21.1, 11, 13; 23.1). Agora, por não fazer caso do Senhor, Israel sentiria o peso de Deus mais uma vez.
Era eminente a condenação de Israel devido ao seu pecado. Essa declaração não era algo fácil ou prazeroso para Malaquias. Sua tarefa era extremamente penosa e difícil. A sua própria gente receberia, uma vez mais, o furor do Senhor. Após tantos anos no exílio, novamente Israel estava preste a ser julgada pelo Senhor dos Exércitos.
O pecado de Israel contra o Deus da aliança eterna demonstrava a sua completa ingratidão. Mesmo sendo um oráculo de juízo e condenação, as palavras iniciais de Deus para com Israel são: “Eu vos tenho amado (Ml1.2)”. É impressionante como essa declaração do amor de Deus por Israel vem logo no início de um oráculo de condenação. O amor de Deus é declarado de maneira direta e clara. Israel era o povo amado pelo Senhor, mas não correspondia a esse tão grande amor.

1 - O amor pactual de Deus por Israel
Ao longo de toda a história de Israel Deus tem demonstrado a sua beneficência em os favorecer e os tem guiado com sua poderosa mão. Israel sempre foi amado pelo Senhor desde os séculos. Mesmo antes que houvesse mundo, antes mesmo que Deus tivesse criado qualquer coisa, Israel já era amado pelo Senhor no seu propósito eterno. Foi o próprio Deus quem formou Israel, quem criou a nação inteira. A respeito de Israel, Deus mesmo disse: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno” (Is 44.24). Com Abraão esse plano é revelado e continuado. A Abraão Deus declarou: “de ti farei uma grande nação” (Gn 12.2). Deus é o criador e Pai de Israel.
Através de Malaquias Deus estava mais uma vez revelando esse amor. A nação, embora estivesse vivendo sem se aperceber dessa verdade tão sublime, ainda era alvo do amor pactual de Deus: “Eu vos tenho amado, diz o Senhor”. Essa declaração é esplendida e graciosa, pois demonstra que o amor de Deus é duradouro e sem fim. Mesmo após tantos pecados e desobediências, Israel ainda é alvo do amor de Deus.
A nação nos dias de Malaquias não acreditava mais no amor de Deus. Eles não ligavam para as promessas contidas na Lei e simplesmente não faziam caso de Deus. Passaram anos no cativeiro da Babilônia e agora não tinha mais a convicção de que eram alvos do amor de Deus e seus cuidados especiais. A palavra deles com relação a afirmação do amor de Deus para com eles era: “em que nos tens amado?” Vejam como eles se esqueceram dos grandes livramentos que o Senhor fez em seu favor. Esqueceram que enquanto ainda eram uma pequena família, Jacó e seus doze filhos, eles foram livres do extermínio que a fome fatalmente os levaria. Como José foi vendido pelos seus irmãos como escravo e se tornou o governador de todo o Egito. Como Deus, pelas mãos de José predisse que grande fome assolaria toda a terra por um período de sete anos e só o Egito se preparou para suportar esses dias de escassez. E por que só o Egito se preparou? Deus estava demonstrando seu amor em preservar a José, para que através dele toda a sua família fosse poupada. Veja como Deus transformou o mal em bem por amor a Israel. Como o Senhor os fortalecia quando eles estavam sendo perseguidos e oprimidos pelo faraó, que tentava matá-los: “Mas, quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais se espalhavam...” (Ex 1.12a). Como Deus os libertou da escravidão dos egípcios de maneira tão grandiosa que todo o Egito foi marcado com a morte, pois não havia uma casa em que não houvesse luto; mas somente os filhos de Israel foram poupados. Mas agora os israelitas abriam à boca e perguntavam: “Em que nos tens amado?” Quanta ingratidão deste povo para com o grande Deus IAVÉ. Eles esqueceram que durante os quarenta anos em que passaram no deserto, naquele ambiente inóspito e seco, era Deus quem os alimentava quando enviava o maná e as codornizes. Deus matava a sede de todos eles e lhes dava de beber, mesmo que tivesse que fazer a água sair de dentro da rocha. Mas, agora, eles diziam “em que nos tens amado?”.
Assim somos nós muitas vezes. Somos como Israel e não conseguimos ver o amor de Deus tão presente em nossas vidas. Não conseguimos ver que Deus tanto nos ama e cuida de cada um de nós em todos os momentos de nossas vidas. Esquecemos que Deus nos dá vida e disposição para o trabalho. A saúde que possuímos vem da generosidade de Deus. É Ele quem nos alimenta todos os dias com aquilo que nos basta para vivermos bem. Queridos irmãos, como somos parecidos com Israel nesse ponto. Chegamos mesmo a duvidar se somos amados por Deus. Muitas são as queixas: “se Deus me amasse, tal coisa não teria acontecido comigo!” ou “como é que Deus me ama e agora mesmo eu acabo de perder meu emprego?”. É justamente o contrário que ocorre conosco. Essas coisas vêm sobre nós para nos mostrar o quanto Deus nos ama. Ele nos ama a tal ponto que suprirá todas as nossas necessidades mesmo quando estivermos enfrentando um momento difícil na vida. Esses não são momentos para praguejar ou para duvidar do amor de Deus, são momentos de calarmos e olharmos para as nossas Bíblias e vermos como Deus sempre tem agido em favor do seu povo. Devemos esperar em Deus com a certeza de que ele vai agir. Quando Moisés estava encurralado entre o mar vermelho e numeroso exército de Faraó, ele percebeu que estava em uma situação extremamente complicada. Deus disse a ele “Moisés porque clamas a mim? Diz aos filhos de Israel que marchem” (Ex 14.15). Não duvide de Deus nunca, continue seguindo a diante confiado no Senhor.
A grande prova do amor pactual de Deus
Mas em resposta ao questionamento dos israelitas nos tempos de Malaquias Deus lhes dar uma resposta do seu amor que nos deixa inteiramente perplexos. Deus os faz lembrar da história, dos patriarcas. Ele leva os infiéis israelitas que estavam duvidando do amor de Deus por eles a se lembrarem dos tempos de Isaque e Rebeca. Isaque foi pai de dois filhos gêmeos: Esaú e Jacó. Deus os lembra da história “Não foi Esaú irmão de Jacó? -- disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, 3 porém aborreci a Esaú.”. Aqui está a grande prova do amor de Deus por Israel. “Amei a Jacó!” Deus revela seu amor baseado na eleição de Israel. Jacó é o patriarca que depois teve seu nome mudado para Israel, e foram de seus 12 filhos que se originaram as 12 tribos de Israel. Rebeca de uma só barrigada concebeu a dois filhos. De Esaú, diz a Bíblia que ele cresceu e foi um valente caçador e homem da floresta. A cerca de Jacó, se diz que era um homem pacato e que habitava nas tendas (Gn 25.27). Que contraste entre os dois. Um era corajoso e o outro covarde. Mas Deus disse: “Amei a Jacó!”. Duas nações estavam no ventre de Rebeca. De Jacó originou-se Israel. De Esaú se originou Edom. Desde o ventre, Israel foi formado e amado pelo Senhor. A grande prova poderia ser vista naqueles dias, pois Israel estava novamente em Jerusalém. Depois de 70 anos de cativeiro na Babilônia, eles estavam de volta à terra da promessa e a cidade santa. Lembremos ainda que Israel tinha sido completamente destruída, que o templo onde os sacrifícios eram queimados a Deus também tinha sido saqueado e destruído e as grande muralhas de Jerusalém haviam sido derribadas. A terra de Israel estava um caos e em total ruína. Mas agora, pela mão de Deus, o povo cativo foi libertado do cativeiro, o templo que foi saqueado e destruído estava novamente em pé, e as muralhas estavam mais uma vez levantadas ao redor de Israel. Porque Deus fez isso? A resposta é “Amei a Jacó!”
Diferentemente de Israel, Deus não tratou da mesma forma a Edom, a nação que teve sua origem em Esaú. Edom estava fora da aliança. Não houve nenhum pacto com eles e nem não tão pouco promessas de amor. Edom sempre foi uma nação que perseguia e se opunha contra Israel. Quando Israel ainda estava no deserto, caminhando rumo à terra da promessa, eles precisaram cruzar o território dos edomitas. Moisés, o líder do povo amorosamente pede ao rei dos edomitas que permita a passagem de Israel pelas suas terras. Moisés faz o pedido usando a seguinte expressão “assim diz teu irmão Israel” (Nm 20.14). Veja a ternura das palavras “teu irmão Israel”. A resposta do rei edomita foi um petulante não. Ele disse: “não passarás!” Assim como Israel, séculos depois os edomitas foram destruídos pelos nabateus. As suas cidades foram saqueadas e devastadas. Porém, a grande diferença do povo da aliança logo se vê. Deus levou Israel de volta para sua terra e sua cidade reconstruída porque Deus os ama. Edom nunca mais foi reerguida, jamais foi reconstruída. Ora, Deus mesmo disse: “Se Edom diz: Fomos destruídos, porém tornaremos a edificar as ruínas, então, diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, mas eu destruirei; e Edom será chamado Terra-De-Perversidade e Povo-Contra-Quem-O-SENHOR-Está-Irado-Para-Sempre”. Por que tanto desfavor contra Edom? A resposta de Deus é: “aborreci a Esaú.”. A expressão hebraica traduzida como “ABORRECER” pode ser traduzida literalmente por “ODIAR, DETESTAR, ABOMINAR”. Podemos constatar essa verdade nas seguintes passagens: Pv 6.16 - Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina. Pv 10.12,18 - O ódio excita contendas, mas o amor cobre todos os pecados... O que encobre o ódio tem lábios falsos, e o que divulga má fama é um insensato. Sl 119.104 - Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho. 1Rs 22.8 - Entäo disse o rei de Israel a Jeosafá: Ainda há um homem por quem podemos consultar ao SENHOR; porém eu o odeio, porque nunca profetiza de mim o que é bom... . Am 5.21 - Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembléias solenes näo me exalaräo bom cheiro.
Na realidade, se formos olhar acuradamente para Esaú e Jacó, vamos perceber que Jacó chantageou seu irmão faminto e ainda enganou o seu pai se fazendo passar por Esaú. Não havia nada de bom em Jacó que inclinasse Deus a amá-lo. Ele demonstrara ser mais miserável do que seu irmão. No entanto “disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, porém aborreci a Esaú.” Jacó foi amado por Deus soberanamente. Não por motivo algum que houvesse nele. Quanto a Esaú, não é correto afirmar que Deus “AMOU MENOS” a Esaú como alguns têm dito. Não se trata de menos amor, trata-se do oposto de amor: ódio. O texto nos apresenta um contraste simples: amor e ódio. Esaú foi preterido por Deus com justiça e não devemos nos impressionar com esse fato. Como disse certa vez um puritano: “Eu até consigo entender que Deus odeie a Esaú, mas Deus amar a Jacó é o fato que me impressiona”.
Deus não desamparou Israel como eles acreditavam. A grande prova do amor de Deus e da eleição de Israel era que eles estavam novamente em paz. Mas eles não reconheciam isso. Não se sentiam amados por Deus e por isso o desprezavam completamente.
Assim como a Israel, Deus também tem nos amado. Ele nos deu a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Deu-nos o Seu Espírito Santo para nos iluminar e capacitar em todas as coisas. Deus nos adotou e agora podemos chamá-lo de Pai. Que prova tão sublime de amor temos nós. Paulo disse “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8). Deus nos ama e esse amor é eterno. “Antes da fundação do mundo” (Ef 1.4). Assim como Deus provou seu amor a Israel lembrando-lhes da sua eleição, devemos nos alegrar em Cristo, pois também fomos amados por Deus. “Deus prova o seu amor” diz o texto sagrado, e a maior maneira para demonstrar esse fato, foi quando ele enviou a Jesus Cristo para morrer em nosso lugar. Queridos irmãos, mesmo que venhamos a caminhar pelo vale da sombra da morte, não temeremos! O Senhor está do nosso lado! A maior prova de amor do universo inteiro nos foi demonstrada: Cristo Jesus. Nossos inimigos não serão levantados da ruína, antes serão deixados na morte, enquanto que nós, mesmo na maior dor que venhamos a sentir, sempre saberemos que Deus nos ama e não nos abandonará jamais.

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